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Na América Latina, uma melhor gestão da água vem sendo colocada em prática
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Em um contexto internacional marcado por ondas de calor, escassez de água e desertificação, preservar a água torna-se essencial. Do acesso universal à adaptação climática, passando pela saúde, biodiversidade e economia circular, a água está no centro de várias transformações fundamentais. No Brasil e na Colômbia, os atores locais adaptam seus modelos com o respaldo da experiência francesa.
Mesmo sendo rica em água doce, a América Latina ainda sofre com dificuldades de acesso à água potável. A gestão adequada não pode se limitar ao funcionamento das redes ou estações de tratamento, pois influencia diretamente a saúde, a agricultura, o ordenamento urbano, a capacidade de enfrentar eventos climáticos e a conservação dos recursos naturais.
As soluções se moldam às diversas realidades. Enquanto alguns lugares ainda lutam para garantir acesso a água potável e saneamento, outros já conseguem transformar águas residuais em energia e recursos úteis. Em ambos os casos, o desafio é adaptar os serviços às necessidades da população, às pressões climáticas e às metas locais.
No Brasil, rumo ao acesso universal
Embora o Brasil possua vastos recursos hídricos, isso não assegura um acesso equitativo à água potável e aos serviços de saneamento. O marco legal adotado em 2020 estabelece uma meta para 2033: alcançar 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de águas residuais. Segundo os parceiros brasileiros, milhões de pessoas continuam sem acesso regular à água.
“Embora tenhamos progredido, mais de 30 milhões de pessoas continuam sem acesso à água. Não podemos considerar essa situação como normal”, afirma Márcio Leão Coelho, diretor do Departamento de Repasses e Financiamento da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades.
Outras informações:
O cumprimento dessas metas exige não apenas a mobilização de recursos financeiros relevantes, mas também o fortalecimento da formulação dos projetos. Os bancos públicos brasileiros oferecem suporte a Estados e municípios, apoiam os estudos iniciais e criam soluções locais sob medida.
As parcerias da AFD com o BNDES e a Caixa se inserem nessa dinâmica. A cooperação com o BNDES contempla uma linha de crédito de 200 milhões de euros voltada ao saneamento, ao desenvolvimento urbano e às energias renováveis nas regiões Norte e Nordeste. A iniciativa envolve ainda conversas entre bancos públicos e discussões sobre como formular melhor os projetos.
“Não existe uma solução única. O papel do BNDES é oferecer soluções financeiras e técnicas adaptadas a cada Estado e a cada município”, explica Vivian Machado, gerente para organizações internacionais no BNDES.
Em Curitiba, a estratégia se traduz em resiliência climática, especialmente em um bairro de ocupação irregular dentro de uma área de proteção ambiental. Na bacia do rio Barigui, a expansão urbana e a ocupação das margens intensificaram os riscos de enchentes e de poluição das fontes hídricas. O “Projeto de Gestão de Risco Climático Bairro Novo do Caximba” integra ações de restauração ambiental, sistemas de drenagem, bacias de retenção, parque linear, moradias e programas de apoio social. A meta é proteger as famílias sem cortar seus vínculos com escolas, atividades econômicas e redes de apoio.
Outras informações:
Na Colômbia, águas residuais viram recursos
Na Colômbia, a EPM busca promover outra transformação, convertendo as estações de tratamento de águas residuais em biofábricas. As estações não se limitam ao tratamento das águas residuais antes do lançamento; elas se transformam em unidades de recuperação de água regenerada, biogás, energia térmica, nutrientes e biossólidos. Essas matérias orgânicas sólidas, provenientes do tratamento de águas residuais, servem como corretivos ou fertilizantes ricos em nitrogênio e fósforo para a agricultura.
A EPM já possui uma compreensão detalhada de suas infraestruturas e dos processos de valorização dos subprodutos. A cooperação com a Seureca, filial do grupo francês Veolia, busca estruturar esse conhecimento e criar um instrumento de apoio à decisão alinhado às prioridades da companhia colombiana.
O estudo analisa a reutilização da água tratada, a recuperação de nutrientes, o incremento da produção de biogás, a codigestão, bem como a recuperação de calor e biossólidos. As alternativas são avaliadas com base em sua viabilidade técnica, sustentabilidade econômica, impactos socioambientais e contribuição para a economia circular.
A meta consiste em reforçar a capacidade da EPM de estabelecer prioridades e definir sua própria trajetória, evitando a simples importação de modelos externos. De um lado, a EPM oferece conhecimento local; de outro, a Seureca conecta expertises francesas e internacionais. Graças à AFD, o diálogo favorece a troca de experiências entre os dois países.
Parcerias nas quais as soluções são compartilhadas
O Brasil e a Colômbia exemplificam duas estratégias complementares de enfrentar o mesmo desafio. No Brasil, a prioridade é ampliar o acesso, fortalecer a formulação dos projetos e promover a adaptação urbana. Na Colômbia, o objetivo é modernizar o tratamento da água, aproveitando recursos e reduzindo o consumo.
Em ambos os países, as transformações são impulsionadas por instituições, comunidades e atores locais. O grupo AFD participa dessas iniciativas, trazendo financiamento, conectando conhecimentos especializados e mantendo uma cooperação de longo prazo. Os benefícios são mútuos: a França compartilha sua experiência e identifica, na América Latina, instituições capazes de implementar soluções relevantes para as transições globais.
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Publicado em 11 maio 2026